O que é o Autismo?Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS) o Autismo Infantil está descrito como um transtorno global do desenvolvimento caracterizado pelo desenvolvimento "anormal" (não adequado para a idade) e/ou comprometimento que se manifesta antes dos 3 anos de idade e é passível de ser diagnosticado durante estes primeiros anos de vida. No Autismo verifica-se um funcionamento "anormal" em, pelo menos, três áreas específicas: interacção social, comunicação e comportamento restrito e repetitivo.
Estas crianças revelam, desde muito cedo, muita dificuldade em relacionar-se socialmente com as outras pessoas, inclusive, existem autistas que não se relacionam nem com os próprios pais. A incapacidade de se relacionar com o outro implicará um atraso significativo na linguagem e comunicação, facto que resultará num atraso global do desenvolvimento, pois a linguagem é uma via indispensável ao desenvolvimento das estruturas cerebrais que promovem todo o nosso desenvolvimento. Além do que, sem a relação com o outro (pais, educadores, etc.) a aprendizagem não é possível, logo não será apenas a linguagem a ser afectada e sim todo o desenvolvimento da criança incluindo não só a estrutura emocional, bem como a interacção social e aquisição das regras que regulam a interacção social e a aprendizagem.
Também se verifica, nestas crianças, um comportamento restrito e repetitivo. As brincadeiras e interesses destas crianças são limitados e, muitas vezes, vêm-se movimentos repetidos e "anormais" tais como o baloiçar-se repetidamente, gestos continuados e estranhos e qualquer alteração na sua rotina diária pode desencadear comportamentos agressivos e desorganizadores. A prevalência do Autismo é mais frequente nos meninos (5) do que nas meninas (1).
Este transtorno, também conhecido por transtorno do Espectro Autista, inclui também algumas variantes que comprometem, de forma menos acentuada, a interacção social, interesses da criança e o desenvolvimento global. Estas variantes são: Síndrome de Asperger e Mutismo Selectivo.
A diferença entre o Autismo e a Síndrome de Asperger reside no facto de que nesta Síndrome algumas crianças não apresentam um atraso global do desenvolvimento, comprometimento cognitivo, nem dificuldades ao nível da linguagem, mas é frequente que sejam desajeitadas e "estranhas". A prevalência desta Síndrome também é mais frequente nos meninos do que nas meninas.
O Mutismo Selectivo, por sua vez, é caracterizado por uma selectividade de cariz emocional no que respeita à fala. Estas crianças só falam em determinados contextos, seleccionados emocionalmente pela própria. Estas crianças evidenciam competências linguísticas em algumas situações e falham noutras. O Mutismo está associado a aspectos emocionais e marcantes da personalidade envolvendo ansiedade social, retraimento, susceptibilidade ou resistência em falar.
Frequentemente, estas crianças falam em casa, "meio protegido" pois integra pessoas que a criança conhece bem e com as quais se sente mais à vontade para comunicar ou com amigos íntimos, mas são mudas no infantário, escola e com estranhos. O Mutismo Selectivo tem origem nos primeiros anos de vida da criança e é possível diagnosticá-lo antes dos 3 anos de idade.
Os profissionais que possuem competências para efectuarem um diagnóstico preciso e credível de Autismo, Síndrome de Asperger, ou Mutismo Selectivo são os Psicólogos Clínicos conjuntamente com os Pedopsiquiatras.
Sim, o Autismo tem tratamento, assim como a Síndrome de Asperger, Mutismo Selectivo, etc. e o prognóstico é positivo, favorável.
Com o acompanhamento psicoterapêutico (desenvolvimento de competências emocionais e sociais) e habilitação neuropsicológica (estimulação cognitiva para promover o desenvolvimento das estruturas cerebrais responsáveis pelo nosso desenvolvimento global) semanal o atraso global do desenvolvimento característico do Autismo evolui favoravelmente. Sem oeste acompanhamento, as hipóteses de evolução cognitiva e emocional são nulas, bem como a integração na comunidade como pessoas autónomas estará seriamente comprometida.
Posto isto, recomendo vivamente o acompanhamento psicoterapêutico e habilitação neuropsicológica destas crianças para que possam crescer bem e se transformem em adultos felizes e autónomos, na medida do possível. Estas crianças, como todas as outras, com ou sem problemáticas de cariz emocional e/ou cognitivo têm direito a serem felizes!
"O Autismo não é contagioso, mas o preconceito sim!" (Autor desconhecido)
Tratar sim, ignorar não!
Ana Azevedo
2 de Abril de 2010
